sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Capítulo 6 - O ósculo

Pablito não poderia ter tido um dia melhor. Adorará a companhia de Kelly. Dançaram até não agüentarem mais, até os pés criarem bolhas e elas lhe remetiam as falidas aulas de dança que tivera com o grupo pés-de-valsa na paróquia que freqüentava. Não tivera muito sucesso nas aulas. Considerava-se um péssimo dançarino, desengonçado nos passos, deselegante no ritmo e por esse motivo evitava passeios que lhe propiciassem tal oportunidade. Mas junto a Kelly, sentia-se um dançarino nato. Bailava como um sedutor, de instinto selvagem, pulava como um garanhão indomável, revelando uma faceta que ele próprio desconhecia. Kelly dançava insinuante, tocando-o com as pontas dos seios, quase que propositalmente, ritmada a melodia, a batida sincronizada, agachava e subia, remexia a cintura, rebolava num jogo de sedução, aproximando-se e recuando-se, e tornando-se desejada. Umidecida pelo suor e com cabelos pesados e descabelados pelas gotículas salgadas, Kelly lançou-se, transubstanciada em prazer aos lábios de Pablito. Sim. Era um beijo, um convite à liberdade que aquela noite ambientava.
Jaziu então aquele jovem de 24 anos e tímido conforme o momento. Via-se o cosmo salivar, a troca de DNA, veludosos tapetes que dançavam em zigue-zague. Nesse momento, Pablito estava fecundo em pensamentos, lembrar-se-á dos livros que lerá de psicologia. Lembrou-se então dos princípios que regiam a Teoria da Gestalt,entre os quais destacava-se como fundamental referência para as composições gráficas, o conceito de que o todo é mais do que a soma das partes. Recordou-se então da explicação de que “A+B” não é simplesmente “(A+B)”, mas sim um terceiro elemento “C” que possui características próprias. Gostava de estudar as cenas da vida, de refletir sobre os acontecimentos, tudo que sobressaltava aos olhos como objeto de estudo. O todo comunicativo lhe envolvia como um campo de pesquisa, o qual, seu simplório intelecto, esforçava-se deveras para desvelá-lo. A sua volta tudo parecia girar em slowmotion. Pablito celebrava a atitude com reciprocidade espontânea. A exuberante Kelly a suores quentes e esfumaçados, e aquele majestoso beijo, transmodelada sinfonia indígena, rufada a tambores, gemida a calafrios, que não encerrava. “A+B” realmente não era uma simplória soma. Mas, um principio, que regia a vida de pablito naquele instante. Afinal, ele e Kelly, somavam-se num produto final C: Um Ósculo. E que toque macio vinham daqueles lábios! Mas como tudo tem um fim. Fez-se da estase quase eterna, o que eu já esperava, meu bom amigo leitor. Afinal, cansa-me narrar cena tão demorada. Mas por fim, abriram-se os olhos que jaziam amarrados, ao desatar das línguas, findou-se o beijo. Foi quando se olharam, sem mais palavras, desejos e continuaram a dançar.
Nelito estava distanciado.No entanto, pudera ver o desempenho de seu amigo em meio ao aglomerado de pessoas, homens e mulheres que dançavam passando de um lado a outro. Não tivera a mesma sorte. Jane lhe recostara o ombro num gesto de afeto. Era mais prudente. Beijara-lo perto dos lábios timidamente. Sem chamar muita atenção. O dia amanhecia lá fora e aos poucos a boate fora ficando vazia. Pablito, abraçado com Kelly vinha comentando sobre seus planos profissionais. Ela dizia que queria fazer enfermagem. Ele falava dos seus estudos de petrolíferos. Iam os dois ao encontro do outro casal. Recostados ao balcão de bebidas, Jane e Nelito, abraçados. Encontraram-se a poucas palavras, contemplativos, caminharam-se a saída. Estavam, em poucos passos, fora da boate.

2 comentários:

Angel disse...

Olá
Sua historia está muitooooo boa, tanto é q vou add em meu blog para
poder acompanhar a saga de Pablito,
lendo a descrição de sua pessoa tive a impressão de ser um bom amigo meu!!!
Ele logicamente nega, mas se fosse um clone não seria tão identico.

hauahuahuahuauaua
bjuss^^

Unknown disse...

se pararmos para e perceber sempre tem alguem que nós conhecemos que parece com estes personagens. Tem uma frase muito célebre : "a vida imita a arte", ou será "A arte imita a vida?" rsrsrrsrs.