quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Capitulo 8 - Um grande engano

Naquele dia Pablito não conseguia se concentrar no trabalho, só pensava em ligar pra Kelly e repetir aquele maravilhoso encontro. O nervosismo o tomava, a vontade de ligar era muito grande, porém ele sabia que não conseguiria falar com Kelly direito e ele não queria decepcioná-la.Tinha que parecer seguro de si, então a brilhante idéia lhe veio: iria escrever um pequeno texto, assim não teria erro. Era só ler no momento certo.

Pablito estava revigorado, nunca esteve tão inspirado para escrever, e depois de vários rascunhos o que seria dito ao telefone estava pronto.O momento de ligar tinha chegado.Suas mãos suavam, seu coração estava saindo pela boca, e nesse momento Pablito se lembra das palavras de seu amigo e sem pensar pegou o pedaço de papel com o número de telefone de Kelly e discou. No terceiro toque ele foi atendido.

_ Não fale nada! Eu fiquei o dia todo pensando no que te dizer e não posso perder esse momento de inspiração.

O outro lado do telefone ficou mudo.

_Nosso último encontro foi maravilhoso. Eu preciso te ver de novo, não penso em outra coisa sem ser em conversar com você novamente, não vou aceitar não como resposta vamos nos encontrar hoje...

Pablito marcou o encontro no mesmo local da última noite, ele continuou elogiando Kelly, muda do outro lado do telefone, por algum tempo e desligou o telefone sem esperar resposta. Pablito achava que precisava parecer confiante, então disse o que tinha que dizer e desligou o telefone. Agora, só faltava ligar para Guto Mobilete, marcar um encontro só ele e Kelly poderia parecer q ele estava apressando as coisas e a desculpa de encontrar um amigo de longa data poderia ser perfeita. Pablito aproveitou o embalo da ligação da Kelly e ligou para Guto. Ele gostou desse joguinho de deixar a pessoa muda do outro lado e resolveu fazer o mesmo.

_ Alô... não fale nada! Preciso me abrir com você, encontrei uma pessoa muito especial e hoje marquei um encontro com ela, suas palavras me deram força pra marcar esse encontro, eu quero te apresentá-la...

Então, Pablito marcou também com Guto. Agora Pablito era outra pessoa.Sua autoconfiança já estava em níveis fora do comum e também desligou sem deixar que o Guto falasse nada.

Pablito como de costume chegou cedo ao local marcado, 10 min antes, mas apenas 15 min depois da hora marcada Ele viu Guto se aproximando a distancia e quando ele se aproximou, Pablito abraçou o velho amigo bem forte, como se estivesse agradecendo por aquela pequena frase que deu coragem para marcar esse encontro que mudará seu destino para sempre. Quando ele terminou , viu Kelly se aproximando com passos velozes, Pablito abriu os braços pronto para abraçá-la também, mas Kelly tinha outra coisa em mente.Ao se aproximar de Pablito, quase sem diminuir a velocidade, como que se quissesse ganhar força pelo movimento encheu a mão na cara de Pablito, um tapa digno de filmes com um belo e barulhento SLAP!! , deixando todos em volta boquiabertos, então ela disse:

_Quem você pensa que eu sou? Sai comigo um dia e no outro tá me chamando pra conhecer outra pessoa que você diz ser especial. Pensei que você era diferente Pablito, mas percebi que você é igual a qualquer um. Aliás! É diferente sim!! Porque eu cheguei aqui e to vendo que essa pessoa é um homem!!!

Kelly também gostou desse truque de deixar as pessoas mudas e se virou e foi embora. Pablito ainda sem ação, desnorteado por aquele tapa que deve ter deslocado seu cérebro quase não teve reação, só tentou correr atrás de Kelly que se distanciava, mas alguém segurou seu braço na altura do cotovelo. Era seu amigo Guto, que assistiu ao show da primeira fila assim com as outras pessoas do bar.

_ Aonde você vai? Pablito!! Você tem muito que explicar!

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Capítulo 7 - Um velho amigo

Foi uma noite especial, algo realmente fantástico. Pablito vivia momentos de êxtase, algo sublime, perto dos deuses. Entretanto a noite acabara e era hora de voltar à realidade.
Um belo dia surgiu. Pablito levantara-se apressado, pois estava atrasado para o trabalho. De um belo conto de fadas, retornava novamente a vida dura e rotineira de um trabalhador.Nunca gostava de chegar atrasado em seus compromissos. Portanto, logo que saiu de casa, encaminhou-se para o ponto. Lá, avistou um táxi e fez sinal para parar.
-Bom dia senhor. Para onde vamos?
-Jaca city, o mais rápido possível.
Aquela voz lhe era familiar. Ao olhar para o retrovisor, reconheceu o taxista. Era Guto Mobilete, amigo dos tempos de adolescência que nunca mais havia visto.
- Pelas barbas do Profeta! É você Guto Mobilete?
- Como sabe meu nome? Eu te conheço de onde?
Desde pequeno, Guto tinha sérios problemas de memória. Lembrava-se pouco das coisas, pagava dívidas duas vezes, coisas estranhas aconteciam com este rapaz. Era apaixonado pela apresentadora Sílvia Popoviti, porém desde que a tiraram do ar caiu em grande depressão.
-Cara, sou eu. Pablito. Fizemos o ensino médio juntos, não se lembra? Você era apaixonado por aquela menina, a Juanete, não se lembra?
-Ah... Sim, sim – respondeu com ar de surpresa - Como você está rapaz?
-Eu estou indo. Estou solteiro ainda, mas parece que minha sorte está mudando. Ontem encontrei uma garota que mexeu com meu coração.
-Eu também estou solteiro.Mas você pegou o telefone dela?
-Claro! Mas não sei o que falar. Tenho medo da rejeição. Talvez tenha sido apenas mais uma aventura na vida dela.
-Não custa tentar, meu amigo. Não deixe o tempo passar!
Tais palavras, por mais óbvias que fossem haviam mexido com Pablito. Era hora de arriscar. Lembrara-se de uma frase do filósofo polonês Franz Ferdinand, que sempre ouvia em momentos de tensão: “É nessa hora que se separam os homens dos meninos!”.
-É mesmo amigão. Não posso deixar que o tempo destrua o que estou sentindo. Agora, me passe seu telefone para marcarmos algo mais tarde.
-Anote aí então. Mas tarde te busco e chame ela para sairmos, ok?
-OK!
Chegara ao trabalho. De uma vida certinha, Pablito estava se tornando um boêmio nato.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Capítulo 6 - O ósculo

Pablito não poderia ter tido um dia melhor. Adorará a companhia de Kelly. Dançaram até não agüentarem mais, até os pés criarem bolhas e elas lhe remetiam as falidas aulas de dança que tivera com o grupo pés-de-valsa na paróquia que freqüentava. Não tivera muito sucesso nas aulas. Considerava-se um péssimo dançarino, desengonçado nos passos, deselegante no ritmo e por esse motivo evitava passeios que lhe propiciassem tal oportunidade. Mas junto a Kelly, sentia-se um dançarino nato. Bailava como um sedutor, de instinto selvagem, pulava como um garanhão indomável, revelando uma faceta que ele próprio desconhecia. Kelly dançava insinuante, tocando-o com as pontas dos seios, quase que propositalmente, ritmada a melodia, a batida sincronizada, agachava e subia, remexia a cintura, rebolava num jogo de sedução, aproximando-se e recuando-se, e tornando-se desejada. Umidecida pelo suor e com cabelos pesados e descabelados pelas gotículas salgadas, Kelly lançou-se, transubstanciada em prazer aos lábios de Pablito. Sim. Era um beijo, um convite à liberdade que aquela noite ambientava.
Jaziu então aquele jovem de 24 anos e tímido conforme o momento. Via-se o cosmo salivar, a troca de DNA, veludosos tapetes que dançavam em zigue-zague. Nesse momento, Pablito estava fecundo em pensamentos, lembrar-se-á dos livros que lerá de psicologia. Lembrou-se então dos princípios que regiam a Teoria da Gestalt,entre os quais destacava-se como fundamental referência para as composições gráficas, o conceito de que o todo é mais do que a soma das partes. Recordou-se então da explicação de que “A+B” não é simplesmente “(A+B)”, mas sim um terceiro elemento “C” que possui características próprias. Gostava de estudar as cenas da vida, de refletir sobre os acontecimentos, tudo que sobressaltava aos olhos como objeto de estudo. O todo comunicativo lhe envolvia como um campo de pesquisa, o qual, seu simplório intelecto, esforçava-se deveras para desvelá-lo. A sua volta tudo parecia girar em slowmotion. Pablito celebrava a atitude com reciprocidade espontânea. A exuberante Kelly a suores quentes e esfumaçados, e aquele majestoso beijo, transmodelada sinfonia indígena, rufada a tambores, gemida a calafrios, que não encerrava. “A+B” realmente não era uma simplória soma. Mas, um principio, que regia a vida de pablito naquele instante. Afinal, ele e Kelly, somavam-se num produto final C: Um Ósculo. E que toque macio vinham daqueles lábios! Mas como tudo tem um fim. Fez-se da estase quase eterna, o que eu já esperava, meu bom amigo leitor. Afinal, cansa-me narrar cena tão demorada. Mas por fim, abriram-se os olhos que jaziam amarrados, ao desatar das línguas, findou-se o beijo. Foi quando se olharam, sem mais palavras, desejos e continuaram a dançar.
Nelito estava distanciado.No entanto, pudera ver o desempenho de seu amigo em meio ao aglomerado de pessoas, homens e mulheres que dançavam passando de um lado a outro. Não tivera a mesma sorte. Jane lhe recostara o ombro num gesto de afeto. Era mais prudente. Beijara-lo perto dos lábios timidamente. Sem chamar muita atenção. O dia amanhecia lá fora e aos poucos a boate fora ficando vazia. Pablito, abraçado com Kelly vinha comentando sobre seus planos profissionais. Ela dizia que queria fazer enfermagem. Ele falava dos seus estudos de petrolíferos. Iam os dois ao encontro do outro casal. Recostados ao balcão de bebidas, Jane e Nelito, abraçados. Encontraram-se a poucas palavras, contemplativos, caminharam-se a saída. Estavam, em poucos passos, fora da boate.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Capítulo 5 – O encontro dos sonhos.

Pablito recomeçou a procura de Nelito pela boate.Depois de alguns minutos, em meio a toda aquela agitação, os dois enfim se encontraram – um encontro que seria inesquecível.

Nelito estava acompanhado como dissera. Eram duas moças belíssimas, uma morena de cabelos longos e negros, com olhos radiantes que transmitiam algo mágico e a outra era loira, tinha cabelos dourados como o sol, na altura dos ombros e olhos verdes bem expressivos.Possuía um sorriso mais lindo que jamais vira. Pablito ficou nervoso ao ver aquelas mulheres. Seu amigo, logo as apresentou :
- Pablito essas são minhas amigas, Kelly e Jane.
-Meninas esse é o meu melhor amigo de quem falei: Pablito Junior.

Então Pablito meio sem jeito foi cumprimentar as meninas:

- Olá! É um prazer conhecer meninas tão bonitas como vocês.

Elas responderam:

- É muita emoção conhecer você, pois o Nelito fala muito bem de ti..Estávamos curiosas em te conhecer.
-Então vamos dançar? – Disse Nelito já abraçando Jane encaminhado – se para o meio do salão.
Kelly disse: - E você não dança?
- Ah, sim claro vamos dançar, eu adoro dançar.
E se juntaram ao outro casal...

Pablito, porém não conseguia pensar em outra coisa senão nesta coincidência.O nome da menina era o mesmo da garota dos seus sonhos.

Será que seu sonho tornaria realidade? Deveria ele apostar no seu sonho? O que o destino reservara para este simples rapaz?

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Capítulo 4 - Pablito, um personagem incomum

Tudo não passou de um susto. Recomposto, Pablito caminhou a procura de seu amigo. Contudo, nesse breve momento de tensão, lembrou-se do sonho que teve, de Kelly e dessa inusitada situação a que passara. Isto seria uma premonição?Seria uma visão? Seria ele um vidente?

Sempre gostou deste universo de ficções que envolviam enigmas a serem desvendados. Antes de dormir sempre lia e relia contos de Edgar Alan Poe.
E até hoje lembra com entusiasmo quando descobriu o assassino de Escaravelho do Diabo, de Agatha Christh, primeiro livro que lera. Por isso aquele sonho lhe inquietava. Não acreditava no acaso,em mera coincidência.

Tomava-lhe a alma um grande desejo de desvendá-lo. Sua cabeça perambulava em imaginários que o tomavam e lhe resgatavam a mente o universo de Arquivo X, série americana.Tinha todos os boxes, via e revia com o mesmo prazer da primeira vez que os viu. Esse era Pablito, jovem de 24 anos, moço tímido, muito namorador, mas solteiro por convicção. Isso é o que dizia para dar respaldo a sua solidão. Muitos de sua rua, aqueles fofoqueiros, lhe zombavam pelas costas, diziam que era um encalhado, garoto bobo, um nerd do rpg. Mas não era verdade.Era exótico, de tamanho médio e olhos escuros, mas com o brilho da mais preciosa ônix. Amigo leal e fiel, desajeitado, e deveras curioso.

- Um dom! Dizia àquele jovem, com entusiasmo. Mal sabia que o que lhe faltava era desvendar seus sonhos. E o quebra cabeça de sua vida torna-se ia um mapa do tesouro.

Capítulo 3 - A chance

Era uma sexta-feira. Pablito levantou-se de forma apressada. Todos os dias, acordava cedo, fazia rapidamente suas atividades matinais e logo após se encaminhava para o serviço. Trabalhava em uma respeitada empresa, a Ambovos, onde passava grande parte do seu tempo. Nos fins de semana, Pablito se reunia com seu amigo, Nelito Guimarães, repórter da Folha Universal, onde planejavam suas biri-nights.

- Alô, Nelito, por favor? – falava Pablito
- O próprio! – respondia ironicamente Nelito.
- O que vamos fazer nesta noite?
- Ah, não sei! Estava pensado em irmos a uma boate.
-Qual?
- Ah, vamos para a Night Girls!
-Ok! – respondia Pablito, decepcionado.

Terminado o expediente de trabalho, Pablito se preparou para a noitada. Não era um rapaz de muitas andanças.Gostava mesmo de manter sua vidinha simples e rotineira (casa – trabalho-casa-cinema), o que por um lado era bom, pois isso lhe garantia um bem-estar incomparável. Porém, dessa vez resolveu mudar um pouco sua rotina.

- Cara, já cheguei. Isso aqui é uma loucura! Nunca vi tantas mulheres gatas na minha vida!- falava Pablito, manjando a loira a seu lado.
- Aguarde cara, já estou chegando - dizia Nelito com voz de suspense – E outra coisa! Estou levando carne amigão. Prepare o seu espeto!
- Beleza! Estou te esperando.

Uma boa oportunidade para Pablito conseguir uma namorada. Rapidamente, ele correu para o banheiro e foi ajeitar o cabelo. Chegando lá, entretanto, começou a sentir fortes cólicas, dores abdominais terríveis que o fizeram sentar no trono.

- Alô, Pablito?
- Fala cara... – dizia Pablito, remoendo-se de dor.
- Já cheguei. Estou com uma amiga, a Kelly, e ela está aqui doida para te conhecer. Viu seu profile no orkut e disse que você é o maior gato. Anda rápido cara, e vem para cá.
- Ok, já estou indo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Capítulo 2 - O pesadelo de um cagão

Precisava limpar aquele rosto, corria a noiva à procura de um lugar para se esconder. Chegando a um pequeno banheiro, perceberá que havia alguém. Ouviu-se então gemidos inefáveis.Alguém parecia estar morrendo.A noiva esquece de seu pranto, tenta abrir a porta, mas estava trancada. Ao gritar por socorro, ela ouve uma voz que exclama em alívio: - Kelly! Kelly! Putz! Já estou indo pro altar. Está tudo bem. Mas caguei-me todo. Não posso entrar com essa calça. Está toda respingada de merda .
- Pablito Junior, seu traste,eu não acredito!Você me fez passar a maior humilhação da minha vida. Não me casarei mais com você e não voltarei para aquela igreja.
- Mas, amor...
- Amor? Seu cagão de merda!
A suores frios, acordara Pablito, de coração acelerado, olhou a sua volta, estava diante de seu quarto desarrumado. Levantou-se, botou um comprimido na boca, bebeu um copo de água e tornou a deitar. Nascia um cenário angelical, céu e estrelas que cintilavam no seu consciente. Um sonho.Putz! A de convir caro leitor, adormecia um Noob.

Capítulo 1 - A espera


As lágrimas corriam o rosto. Corria no olhar indisposto. Desmancha, despinta maquiagem, fere a face de leve, suave, e mergulhada a pranto, viu-se ali criatura emotiva, debulhando-se selvagemente, sem pudor, sem mais vergonhas, num caos que ambientava a capela. Lá, o altar silencioso, o sacerdote sem mais palavras. A platéia de olhar espantoso. Assim, a famigerada noiva jazia estática, só lhe restava a solidão, essa que lhe chegara sorrateira, restava-lhe a ilusão que lhe acompanhava a alma, mas já não se sentia mais uma criatura de alma, sentia-se vazia, despida ao horror, vestia-se lindamente de branco angelical. Corre então figura desorientada. Corre o palco a tropeço, um corredor de tapete vermelho que não findava, que lhe atordoava. Os fotógrafos estáticos vestiam a surpresa de estátuas moribundas, corria então ela alucinada, sem mais espera, sem mais demora, sem despedida, a ausência do protagonista.